Dez casos clínicos e dez questões gerais. Marque uma alternativa; o comentário aparece na hora.
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Parte 1 · Casos clínicos (1 a 10)
Caso 1
Homem de 58 anos, dispneia súbita há 3 horas e dor torácica que piora à inspiração. Artroplastia de joelho há 10 dias. FC 108, PA 128 por 82, saturação de 92 por cento em ar ambiente. Escore de Wells de 7,5 pontos. Qual a conduta diagnóstica mais adequada?
Resposta C. Wells acima de 4 significa TEP provável, e aqui o D-dímero não ajuda, porque um resultado negativo não descartaria com segurança. Vai direto para a angiotomografia. O ecocardiograma não confirma nem afasta o TEP, serve depois para avaliar o ventrículo direito. O que decide aqui é reconhecer a alta probabilidade e não gastar tempo com um exame que não muda a conduta.
Caso 2
Mulher de 76 anos, dispneia leve há 1 dia, sem sinais de trombose na perna, sem hemoptise, com diagnóstico alternativo mais provável (exacerbação de DPOC). Wells de 2 pontos, improvável. D-dímero de 620 microgramas por litro. Qual a interpretação correta?
Resposta B. Acima de 50 anos, o corte do D-dímero é a idade vezes 10, então para 76 anos vira 760. O valor de 620 está abaixo, e com probabilidade baixa o TEP fica descartado sem imagem. Usar o corte fixo de 500 (alternativa A) levaria a uma angiotomografia desnecessária. Ajustar o corte pela idade evita tanto o subdiagnóstico quanto o exame fútil.
Caso 3
Homem de 65 anos, TEP confirmado, sintomático, sPESI de 2. Angiotomografia com relação ventrículo direito sobre esquerdo de 1,2. Troponina elevada. PA 120 por 80, sem hipoperfusão. Saturação de 93 por cento com cateter a 2 litros por minuto. Categoria pela AHA e ACC de 2026?
Resposta C. Sintomático com escore elevado é categoria C. Como tem disfunção de ventrículo direito (relação maior ou igual a 0,9) E biomarcador elevado ao mesmo tempo, é C3. Há sofrimento respiratório (saturação abaixo de 90 por cento em ar ambiente e necessidade de oxigênio), então acrescenta o R. Não é D, porque não há hipotensão nem choque normotensivo. A categoria certa define internar em UTI ou semi-intensiva.
Caso 4
O mesmo paciente, 4 horas depois, na UTI: sonolento, débito urinário de 12 mililitros em 2 horas, lactato de 1,1 para 3,2, creatinina de 0,8 para 1,3. PA 96 por 62 (média de 73). Precisou de máscara não reinalante. Nova classificação?
Resposta C. A sistólica ainda está acima de 90, mas há hipoperfusão de órgão-alvo (lactato acima de 2, lesão renal aguda, alteração do estado mental): é o choque normotensivo, D2, e a máscara não reinalante acrescenta o R. Não é D1, que é a hipotensão transitória que responde a volume, sem hipoperfusão. A primeira classificação era só uma hipótese de trabalho, e o novo dado reclassifica o paciente e dispara a ativação do PERT.
Caso 5
O mesmo paciente, D2R. O residente quer intubar para proteger a via aérea e descansar a musculatura. Qual a conduta mais segura?
Resposta B. Na falência de ventrículo direito, a indução e a ventilação com pressão positiva podem precipitar parada em atividade elétrica sem pulso, porque tiram o tônus adrenérgico, reduzem a pré-carga e aumentam a pós-carga. Prefere-se a cânula de alto fluxo, a norepinefrina para a perfusão coronariana do ventrículo direito, e o PERT. Volume agressivo piora o ventrículo dilatado. O objetivo é manter o paciente vivo enquanto a decisão avança, sem a armadilha da intubação precoce.
Caso 6
Gestante de 28 semanas, dispneia e taquicardia, suspeita de TEP, com dor e edema na panturrilha direita. Melhor conduta?
Resposta B. Na gestante com sinais na perna, um Doppler positivo autoriza tratar com anticoagulação plena, poupando a radiação torácica. O anticoagulante é a heparina de baixo peso (não atravessa a placenta); os orais diretos e a varfarina estão contraindicados na gravidez pelo risco de embriopatia. O D-dímero na gestação tem cortes por trimestre, não o fixo de 500. Aqui, o contexto, a gravidez, muda a via diagnóstica e a escolha da droga.
Caso 7
Paciente internado, em enoxaparina há 7 dias. Plaquetas de 240 mil para 90 mil, queda de mais de 50 por cento, sem sangramento. Conduta?
Resposta B. Início entre o 4º e o 14º dia, com queda maior que 50 por cento ou plaquetas abaixo de 100 mil, é HIT tipo II, imune e pró-trombótica. Suspende-se toda heparina (inclusive o flush) e troca-se por anticoagulante não heparínico, como um oral direto. Não se transfunde plaqueta (é pró-trombótica), e trocar por heparina não fracionada não resolve (reação cruzada). Se as plaquetas caírem abaixo de 50 mil, só mecânica.
Caso 8
Paciente estável, trombose venosa profunda proximal confirmada, sem contraindicações, tratamento em casa com anticoagulante oral direto. Sobre o início, o que está correto?
Resposta B. Apixabana e rivaroxabana dispensam a ponte, começam direto (apixabana 10 mg 12/12h por 5 dias, depois 5 mg 12/12h; rivaroxabana 15 mg 12/12h por 21 dias, depois 20 mg/dia com refeição). Dabigatrana e edoxabana exigem pelo menos 5 dias de heparina antes. Os orais diretos são preferidos à varfarina por sangrarem menos. Saber qual droga precisa de ponte evita a subdose no início.
Caso 9
Homem de 72 anos, internado por pneumonia, acamado. Pádua de 5 (alto risco). IMPROVE Bleeding de 8, e plaquetas de 45 mil. Conduta de profilaxia?
Resposta C. O Pádua indica profilaxia, mas o IMPROVE Bleeding de 7 ou mais sinaliza alto risco de sangramento, e as plaquetas abaixo de 50 mil contraindicam a anticoagulação. Prioriza-se a mecânica (compressor), que não é contraindicada pela plaquetopenia (compressão externa não causa hematoma), reavaliando diariamente. Deixar sem nenhuma proteção seria errado. Avaliar o risco de sangramento faz parte da decisão, não só o risco de trombose.
Caso 10
Paciente com TEP e deterioração, categoria D2, no PERT. Discute-se trombectomia mecânica contra trombólise dirigida por cateter. O que o estudo PEERLESS orienta?
Resposta C. O PEERLESS comparou as duas técnicas em risco intermediário (C2 a D2) e não mostrou diferença em mortalidade em 30 dias nem em sangramento maior; a escolha se baseia na experiência do centro e nas contraindicações aos trombolíticos. A trombólise sistêmica de rotina não é obrigatória, e a dose plena fica para a categoria E, com opção de meia-dose. A decisão é em equipe, com o PERT, e com base na evidência.
Parte 2 · Questões gerais (11 a 20)
Questão 1 · Diagnóstico
Sobre a regra PERC, é correto afirmar:
Resposta B. A PERC só vale quando a probabilidade clínica já é muito baixa. Com os 8 critérios negativos, exclui o TEP sem dosar D-dímero. Os critérios incluem idade de 50 anos ou mais (não 40), FC de 100 ou mais, saturação abaixo de 95 por cento, hemoptise, estrogênio, trombose prévia, edema unilateral e cirurgia recente. Qualquer critério positivo apenas obriga a seguir com o D-dímero.
Questão 2 · Diagnóstico
No algoritmo YEARS, os cortes de D-dímero são:
Resposta B. O YEARS avalia três itens (sinais de trombose, hemoptise, e TEP como diagnóstico mais provável). Com zero critérios, o corte de exclusão sobe para 1000; com um ou mais, volta para 500, ou o ajustado pela idade. Isso reduz a angiotomografia desnecessária em quem não tem sinais de alarme.
Questão 3 · Classificação
Sobre a classificação de TEP da AHA e do ACC de 2026:
Resposta B. A diretriz aposentou maciço e submaciço e criou 5 categorias (A subclínico, B baixo risco, C risco elevado, D falência incipiente, E falência franca), integrando escores clínicos, biomarcadores, função do ventrículo direito e hemodinâmica, com o modificador respiratório R.
Questão 4 · Classificação
O modificador respiratório R é adicionado quando:
Resposta B. O R é uma escada de suporte respiratório que muda conforme a categoria. Em C, sofrimento básico (hipoxemia abaixo de 90 por cento, taquipneia de 30 ou mais, ou oxigênio suplementar). Em D, alto fluxo (cânula acima de 6 litros ou máscara não reinalante). Em E, pressão positiva (ventilação não invasiva ou invasiva).
Questão 5 · Estratificação
Sobre a decisão de tratamento domiciliar no TEP:
Resposta A. sPESI de 0 (baixíssimo risco) e Hestia todo negativo (nenhum critério de internação) apontam o paciente elegível ao tratamento domiciliar, desde que haja retaguarda ambulatorial e acesso garantido ao anticoagulante oral. sPESI de 1 ou mais interna; Hestia com qualquer resposta positiva interna.
Questão 6 · Reperfusão
Sobre a trombólise sistêmica no TEP:
Resposta A. A dose padrão de alteplase é 100 mg em 2 horas. A dose reduzida, de 25 a 50 mg, mantém boa eficácia na melhora do ventrículo direito com menos sangramento maior, e pode ser considerada. A trombólise é para a falência franca (categoria E, e considerar na D), não para o baixo risco.
Questão 7 · Reperfusão
Sobre a VA-ECMO no TEP:
Resposta A. A VA-ECMO é resgate no choque refratário (E2), descomprime o ventrículo direito e garante a perfusão. Mantém-se a anticoagulação parenteral contínua, na ausência de sangramento, para evitar a trombose do circuito e nova embolização.
Questão 8 · Conduta
Sobre o filtro de veia cava inferior:
Resposta B. A indicação formal é a trombose venosa profunda proximal aguda com contraindicação absoluta ao anticoagulante. Prefere-se o filtro removível, retirado assim que a anticoagulação for possível. Estudos, como o PREPIC, mostraram que somar o filtro à anticoagulação não melhora a sobrevida e aumenta a trombose recorrente, então não se coloca de rotina.
Questão 9 · Seguimento
Sobre a duração da anticoagulação:
Resposta A. A duração depende do fator do evento. Reversível maior (cirurgia de grande porte, hospitalização por doença aguda por 72 horas ou mais): 3 a 6 meses. Persistente (câncer, SAF, autoimune) ou primeiro episódio não provocado: indeterminada. Na fase estendida sem câncer, pode-se reduzir a dose do oral direto (rivaroxabana 10 mg/dia ou apixabana 2,5 mg 12/12h), com menos sangramento.
Questão 10 · Profilaxia
Sobre a profilaxia mecânica:
Resposta B. Os métodos mecânicos precisam de pelo menos 18 horas por dia. A plaquetopenia grave não contraindica o compressor, porque a compressão é externa, sem trauma vascular, e não causa hematoma; ele vira a proteção de escolha quando a heparina está contraindicada. O compressor tem melhor evidência que a meia. As contraindicações são locais: fratura exposta, infecção ou úlcera na perna, e insuficiência arterial grave.